sexta-feira, 18 de março de 2016

O que é, afinal, essa tal saúde? (6)

A saúde no Renascimento

Após a Idade Média, com o Renascimento, houve muitas transformações. As cidades cresceram e foram se modificando, com um incremento do comércio que ocasionou uma nova configuração urbana. Pessoas do meio rural acorreram à cidade em busca de trabalho e essa afluência trouxe novos problemas de saúde, além dos que já haviam martirizado a Europa Medieval.
A causalidade do adoecimento e o desenvolvimento da clínica foram os temas que dominaram o pensamento médico no Renascimento e, com o passar do tempo, se realizaram estudos que relacionavam doenças a atividades laborais
A Idade Média foi assolada por terríveis epidemias, como sabemos, e nesse período proliferaram os lazaretos para quarentenas. Tudo indica que o pioneiro foi o de Pisa, junto à Igreja de S. Lázaro, aberto em 1464. Ali era realizado o controle sanitário, com a colocação onde são postas de quarentena as pessoas que, chegadas a um porto ou aeroporto, podem ser portadoras de moléstias contagiosas.

A palavra “hospital”, aliás, vem do termo latino hospitalis, que significa local em que se recebem hóspedes, notadamente peregrinos e pobres em geral, além de enfermos, é claro. Somente mais tarde o hospital ganhou o status de nosocomium, (palavra também grega), que quer dizer “tratar os doentes”. Por outro lado, o termo hospitium designava o local em que se recebiam hóspedes e foi daí que surgiu termo “hospício”, que ficou marcado, em sua evolução histórica, como o nome do lugar em que se internam enfermos pobres, incuráveis e insanos.

Contágio e miasmas
Com o crescimento urbano, foram sendo criados novos lazaretos, ou hospitais, um espaço de controle, guarda e isolamento dos doentes desamparados. O que se procurava, no entanto, não era a cura, mas a salvação da alma. E no Renascimento os hospitais foram deixando a administração religiosa, notadamente por parte de monges, e passando à administração municipal. Isso já acontecia desde o século XIII. 

Naquele período, houve grandes avanços em todos os campos, notadamente nas artes e ciências. As crenças em forças sobrenaturais foram esvanecendo e o eixo dos debates se centrou nas discussões sobre as causas físicas. A medicina é retomada como disciplina laica e as práticas e experimentos clínicos são retomados, com a Medicina se livrando do aprisionamento aos grilhões da Igreja.

As noções de contágio tenderam para a teoria dos miasmas, que afirmava ser a má qualidade do ar, proveniente das emanações oriundas da decomposição de animais e plantas, a principal origem das doenças. Nascia uma compreensão do adoecimento mais voltada para um pensamento epidemiológico que vigorou com força até a metade do século XIX. Falava-se de eflúvios que surgiam de alterações nas entranhas da terra, contaminando a atmosfera e, consequentemente, as pessoas.


A causalidade do adoecimento e o desenvolvimento da clínica foram os temas que dominaram o pensamento médico no Renascimento e, com o passar do tempo, se realizaram estudos que relacionavam doenças a atividades laborais. 

Assim, é possível dizer que o período foi notabilizado pela retomada das pesquisas científicas, para melhor compreender as causas e melhor planejar os tratamentos para retomada da saúde. 

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