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Parece claro que as atuais preocupações com a qualidade ambiental e com a preservação dos recursos do planeta são manifestações de um anseio por saúde |
O conceito de “saúde” mudou muito desde o início de seu uso.
Isso ocorre porque é um elemento diretamente vinculado a uma conjuntura social,
econômica, política e cultural. Assim, a definição do que é saúde tem variações
fundamentais, e mesmo diferenças radicais, de acordo com o tempo, o lugar e a
posição social de quem o formula. Além disso, há concepções religiosas, filosóficas
e, é claro, também científicas, já formuladas e que influenciam todos os que
pensam e dizem algo em relação ao que seja essa tal “saúde”.
De acordo com o que conhecemos hoje, parece claro que
inicialmente a saúde estava relacionada à ação de forças míticas e quedava
subordinada aos atos de obediência a ditames metafísicos, como a vontade dos
deuses e entidades naturais e sobrenaturais. Não raro, o estado de saúde era
diretamente ligado à proteção contra demônios e maus espíritos e às boas
atitudes que atraíam a simpatia divina e afastavam a sua cólera. Tudo indica
que, no caso do paganismo, a saúde provinha dos deuses, assim como na visão
monoteísta provinha de um só Deus.
Por seu lado, Hipócrates, o patriarca dos médicos, foi um dos primeiros a relacionar o equilíbrio do corpo com as forças
naturais, se desviando das noções metafísicas. Com o tempo, no campo da
ciência, foram se especificando novas formas de pensar e definir a saúde, como
as estritamente mecanicistas, que radicalizaram a definição do que é saudável
estabelecendo uma lógica eminentemente maquínica, entendendo o corpo humano
como um aparelho mecânico.